quinta-feira, 16 de julho de 2015

A Tal da Governabilidade


"Para falar no governo da nossa presidência, assim como qualquer outro, ele é produto de uma determinada correlação de forças, oriunda de um arranjo que se deu num determinado contexto e a partir de uma determinada estratégia"


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Reduzir a Maioridade Penal. O Que Acontece?



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"A lei não pode ser baseada nas nossas emoções num momento de revolta e muito menos no desejo pela punição. Devemos pensar na melhor maneira de resolver os problemas sociais, e com um tratamento sério do assunto, podemos perceber que reduzir a maioridade penal não resolve nem ameniza o problema, mas o agrava. Para isso precisamos olhar para além do óbvio e do senso comum."

sábado, 14 de março de 2015

Corrupção e Indignação Seletiva



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"Atualmente, no Brasil, existem dois partidos favoritos e muito populares: um deles é o PT, e o outro é o “fora PT”. Desde as últimas eleições ficou muito claro que os adeptos do “fora PT” estão dispostos a tirar o PT a qualquer custo, votando no PSDB e alguns até mesmo clamam por uma intervenção militar. A ideia é que qualquer coisa é melhor que o PT, já que tal partido seria, entre as opções disponíveis, o mais corrupto e autor dos maiores casos de corrupção da história do país. Pra você que é adepto desta “corrente”, tem disposição pra falar sobre corrupção à sério?"

sábado, 14 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

4 Pontos Sobre a Relação dos Homens com o Feminismo

Qual o papel do homem que apoia o feminismo?

Este texto não trata sobre o feminismo. Ele parte do pressuposto que o leitor já saiba o que significa feminismo e que compreenda que existem contradições dentro do pensamento feminista, com várias correntes e linhas de militância. Este texto trata somente de alguns pontos bem específicos que envolve discussões correntes e já bem conhecidas por quem o apoia. Discussões que, creio, são importantes. Eu poderia fazer um texto muito longo, explicando melhor os meus pontos de vista, mas acreditei ser um esforço vão e preferi colocar apenas quatro ideias centrais de maneira sucinta, embora eu saiba que deixem margem para incompreensões e críticas pré-fabricadas. Espero, porém, que hajam ainda aqueles que pensem e discutam as ideias apresentadas – e não apenas as rotule e desclassifique.

1. A mulher é quem protagoniza a luta feminista. Um homem não deve, portanto, falar EM NOME do feminismo. Mas não há problema em um homem falar SOBRE o feminismo, pela simples razão de que todas as pessoas – TODAS – tem o direito de ter ideias e de expressá-las. Uma vez que essas ideias são expressas, os discordantes têm o direito criticá-las, mas não de criticar o direito de expressá-las (salvo em caso de discursos de ódio que alimentam a violência). Portanto, quando um homem fala SOBRE o feminismo, as feministas discordantes podem e devem criticar o CONTEÚDO da sua opinião, mas não devem questionar o seu direito de falar.

2. É um fato que os homens são beneficiados pelo machismo. O mesmo fato não torna verdadeira a ideia de que homens particulares não possam ser prejudicados por ele. Algumas feministas chegam mesmo a acreditar que o machismo só fornece vantagens para todos os homens; e outras, indo mais além, que todos eles estariam compromissados em mantê-lo, isto é, que nenhum homem realmente deseja o seu fim.

Acontece que o machismo cria um determinado padrão ético e estético (mais de um, na realidade) do qual nem todos se identificam nem podem se identificar. Os gays são o exemplo mais eloquente, no entanto mesmo um homem heterossexual que esteja em desacordo com as exigências impostas pelo machismo, será discriminado - tanto pelos homens, quanto pelas mulheres, de maneira geral. Isso pode ocorrer quando ele não tem a aparência exigida pelo machismo, a forma de lidar com a sexualidade exigida, os gostos exigidos, e inúmeras particularidades que variam de indivíduo para indivíduo, mas sobretudo quando são demasiados sensíveis ou estranhos para os padrões do machismo.

Em nenhum momento eu equiparei a opressão que a mulher sofre pelo machismo com o que o homem sofre, nestes casos. A questão, a saber, é: homens também são discriminados pelo machismo, quando este não o considera “homem de verdade”. E mesmo aqueles que saberiam utilizar o poder que o machismo lhes provém, estes podem, como acontece em alguns casos, não quererem este poder, pelo simples fato de que são capazes de sentir empatia e não admitirem injustiça. Estes esperam, verdadeiramente, que o machismo acabe. O feminismo liberta também o homem.

3. O feminismo é uma luta das mulheres, mas ele tem em si um novo projeto de sociedade: um projeto que envolve tanto homens quanto mulheres. Sendo assim, queira ou não, ele é do interesse dos homens. Existem algumas correntes feministas que fazem uma verdadeira satanização do homem: existem feministas, por exemplo, que alegam que todo homem é um estuprador em potencial. Oras, eu não me considero um estuprador em potencial. Pois para ser um estuprador é necessário ser um sádico. Será mesmo que essas mulheres acreditam que todos os homens são sádicos? É certo que mulheres sádicas podem ser estupradoras em potencial. 

Esta visão de mundo torpe levou uma moça, que eu chamava de amiga, quando “descobriu” que os homens são a encarnação do mal, a se autoproclamar “misândrica”, e desde então passou a me tratar como um qualquer, ou pior que isso, como alguém que lhe oferece algum perigo (nunca ofereci). De um momento para o outro ela mudou comigo e não foi mais minha amiga.

4. Entre diferentes feministas não há consenso a respeito do papel do homem que apoia o feminismo, variando desde aquelas que acham que eles não devem fazer mais que calar a boca até aquelas que lhes atribuem uma participação mais ativa, o que pode significar muitas coisas. O que todas estão de acordo é que o feminismo é das mulheres, isto é, seria um contrassenso a luta pela emancipação feminina ser dirigida e controlada por homens. Os homens, por seu lado, podem compreender isso perfeitamente e, paralelamente, procurar fazer a sua parte recusando-se a reproduzir práticas e discursos machistas. Como apoiar o feminismo lhes interessa, é natural que eles participem de discussões a este respeito para aprender, para compartilhar a sua visão, sua experiência e, se possível, contribuir. Não há nada de errado na discussão: ao contrário, ela é (ou deveria ser) saudável. A ausência dela é que é insalubre, e geralmente é sintoma do dogmatismo e do pensamento acrítico.

Em discussões, pontos de vista diferentes se chocam. O que não deveria acontecer é o choque de egos, de vaidades, embora isso ocorra com mais frequência, dentro das militâncias, do que eu gostaria de admitir (e me obrigo a dizer aqui). PROBLEMATIZAR determinado assunto NÃO É DESLEGITIMAR. Todos os movimentos sociais devem buscar manter-se críticos e autocríticos, com compromisso pelo conhecimento e na busca por estar em constante melhoramento. Isso envolve criticar e ser criticado, falar e ouvir. Olhar para si sem preconceitos e sem medo de repensar e reciclar sua bagagem. Com efeito, existem feministas que, possuindo maturidade pessoal e política, estão a par da complexidade das questões políticas em geral, que são sensíveis e coerentes e, concordando ou não com os pontos de vista apresentados, discutem. Mas também existem aquelas que levam uma porção de discursos prontos que servem somente para repelir diálogos. Elas nunca discutem uma ideia proposta, discutem apenas quem a disse (ad hominem); interpretam o que foi dito sempre de maneira enviesada; não conversam, agridem; e terminam por “vencer” a discussão através da rotulação. Termos como “uzomista”, “feministo” ou “male tears” celebram não apenas a falta de argumentos, mas a própria incapacidade de dialogar. Crianças mimadas também se comportam assim: não podem se ver contrariadas sem baterem o pezinho.

A respeito do último ponto apresentado, isso serve não apenas na discussão acerca do feminismo, mas para todas as militâncias e mesmo para a vida pessoal. Ser proletário, por exemplo, não te coloca numa posição acima das críticas nem te fornece a iluminação para alguma verdade inacessível aos “mundanos” da política (digo isso como proletário e militante).