quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Israel e Palestina: Guerra ou Massacre?

Gaza bombardeada

A lógica binária diz que quem ataca Israel defende o Hamas, e também o oposto. Com pessoas que pensam assim nem adianta tentar dialogar. Além disso, parece que cada um já escolheu seu lado para defender, tal qual escolhe times de futebol: Israel ou Palestina, e vai defende-lo não importa o que aconteça, independente dos fatos e notícias. Nada do que aconteça vai lhes fazer mudar de opinião. 

Vamos além disso. Aqueles que justificam a ação militar de Israel em Gaza tem utilizado um principal argumento: Israel só está se defendendo. Até 31 do mês passado a ONU havia divulgado os seguintes dados:

Há energia somente durante três horas por dia e o acesso à água e esgoto é precário ou inexistente em toda a Faixa de Gaza; 
A comida está escasseando e os preços inflacionando;
1.373 palestinos mortos, daqueles corpos identificados 252 são de crianças e 181 de mulheres e, no total, 83% são civis;
8.265 palestinos foram feridos, sendo 2.502 crianças e 1.626 mulheres;
Mais de um quarto da população de Gaza ou 457.000 pessoas, em sua maioria refugiados expulsos de onde hoje é Israel em 1948, foi deslocada de suas casas. 
Pelo menos, 303.000 crianças necessitam de atendimento psicossocial direto, urgente e especializado (trauma de guerra);
Cerca de 58.000 pessoas tiveram suas casas destruídas ou seriamente danificadas, além de 29.700 cujas casas foram danificadas, mas permanecem habitáveis;
Mais de 250.000 refugiados internos precisam de assistência alimentícia imediata;
137 escolas danificadas, várias inclusive servindo de abrigo emergencial;
24 hospitais e clínicas danificados;
25 ambulâncias da cruz vermelha foram atingidas, 
Equipes e bens e instalações humanitárias estão sendo atacados com frequência pelas forças israelenses; (fonte)

Hoje o saldo já passa dos 1.800 (cerca de 80% civis). E do outro lado? Do lado de Israel, apenas 58 pessoas morreram (até o dia 31), sendo delas somente dois civis, e não chega a uma centena o número de feridos. Por que esse ataque começou? Supostamente por causa do sequestro e assassinato de três (TRÊS) jovens judeus, pelo Hamas (Hamas não assumiu a autoria dos homicídios). Isso é o que o governo brasileiro chamou de “desproporcional”, sendo ironizado pelo Estado de Israel. Essa desproporção não é novidade: em 2006, um ataque de Israel matou cerca de 1.300 palestinos, e apenas 13 israelenses.

Sejamos sinceros: baseado nesses números, você realmente acredita que se trate de autodefesa? Como poderia ser justificável que, após o assassinato de três jovens, um Estado tivesse o direito de passar bombardeando casas com civis, milhares de pessoas que nenhum envolvimento tiveram com o caso? Israel também bombardeou escolas e um edifício da ONU onde se refugiavam mulheres e crianças. Como disse o jornalista Breno Altman, que é judeu, “nunca existiu autodefesa que justificasse mortes de mulheres, crianças e ataques a edifícios das Nações Unidas; o nome do que faz o governo de Israel é crime de guerra". (fonte)

Existe uma bateria de argumentos prontos e enlatados para a defesa ideológica de Israel. Como quando evocam os foguetes incessantes que Hamas envia à Israel, pondo-os em constante risco. Israel tem um dos melhores sistemas antimísseis do mundo (se não o melhor), e não, isso não justifica a barbárie e o massacre que Israel impõe à Palestina. Se a resposta de Israel fosse mesmo legítima, eles estariam atacando apenas os militantes do Hamas, e não civis aleatórios.

Mas eles alegam que antes de qualquer bombardeio Israel faz ligações avisando antes dos bombardeios; pedem para que desocupem os locais. Por que os palestinos permanecem sob o disparo dos mísseis, se são avisados? Será que ele gostam de morrer? Não, eles explicam que, mais uma vez o Hamas os obrigam a permanecer no local para que morram e possam assim se fazer de vítimas. Isso mesmo. Não é Israel quem está matando os palestinos, são eles mesmos quem estão se matando. Pra chamar a atenção internacional. Genial, não é mesmo?

Existem ainda outros argumentos para se defender o indefensável, neste caso, mas sejamos sinceros: Israel não está se defendendo. Então o que eles está fazendo?

Mapa revela ocupação de Israel sobre a Palestina
Uma rápida olhada no mapa da ocupação Israelense é muito reveladora. Desde a fundação de Israel pra cá, o país sionista tem rompido tratados e ocupado cada vez mais terras, reduzindo os territórios palestinos em pequenos guetos, cada vez menores, cercados por enormes muros, como enormes prisões ao céu aberto.

Israel está dizimando o Estado da Palestina, ou o que sobrou dele, eliminando palestinos fisicamente. Se Israel realmente estivesse interessado na paz, e não em varrer os palestinos da face da Terra, eles já teriam parado.

Se o problema de Israel é o Hamas e outros grupos terroristas, como pode que, com um exercito tão sofisticado e bem preparado, não ter dado um jeito neles, ainda? Israel não quer acabar com Hamas. Existe uma pressão internacional para que Israel chegue à um acordo com a Palestina. Como Israel não deseja coexistir com a Palestina, nem garantir a soberania da mesma, o Hamas fornece o pretexto perfeito para a não negociação (Benjamin Netanyahu afirmou que jamais negociaria com o Hamas) e para essas operações militares, sob o pretexto da autodefesa. Deixo aqui um trecho da matéria de José Antonio Lima:

O "corte de grama" é parte central do objetivo do governo de Netanyahu e da coalizão de direita e extrema-direita que ele lidera: manter o impasse atual para sempre, sem anexar por completo os territórios palestinos e, muito menos, sem contribuir para a criação de um Estado palestino. A intenção é antiga e antecede a chegada de Netanyahu ao poder. Como lembrou Mouin Rabbani em recente artigo no London Review of Books, em 2004, um ano antes de o governo de Ariel Sharon desocupar a Faixa de Gaza, Dov Weisglass, conselheiro do então premier, afirmou ao jornal Haaretz que o intuito da saída da Faixa de Gaza era "congelar o processo de paz". "Quando você congela esse processo, você previne o estabelecimento de um Estado palestino, e previne a discussão sobre os refugiados, as fronteiras e Jerusalém", afirmou Weisglass. "Efetivamente, todo este pacote chamado Estado palestino, com tudo o que ele implica, foi removido indefinidamente de nossa agenda". (fonte
Soldado israelense utilizando
 palestino como escudo humano
Em um telegrama enviado pela Embaixada dos EUA em Tel Aviv para Washington em 3 de novembro de 2008, vazado através do site Wikileaks, consta que “Autoridades israelenses confirmaram diversas vezes aos funcionários da Embaixada (dos EUA) que a intenção do governo de Israel é manter a economia de Gaza funcionando em nível precário, pouco acima de uma crise humanitária”. (fonte)

O bloqueio israelense a Gaza limita o acesso a alimentos, combustíveis e remédios aos palestinos, forçando infraestrutura local a operar no limite. “Para se ter ideia, o suprimento alimentar na região em agosto de 2009 era de 2.600 caminhões. Isso representava 20% do total de alimentos que entravam em Gaza em junho de 2007”.
O abastecimento de água e o saneamento também eram precários: cerca de 10 mil habitantes de Gaza não tem acesso à agua. Outros 60% da população não têm acesso diário, com fornecimento intermitente. Apenas 10% dos 1,8 milhões de habitantes em Gaza tem água de acordo com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. Quando não são atacados militarmente, os palestinos estão sem água, sem luz e com fome: são economicamente estrangulados por Israel.
Efeitos do fósforo branco sobre a pele.
Utilizado por Israel contra civis palestinos
Documento secreto de 30 de julho de 2009 (mesma fonte) mostra que na Operação Chumbo Fundido (2008) o exército de Israel usou palestinos como escudos humano, e muito pior: usou bombas de fósforo branco contra a população civil.

Defender tais barbáries é inumano, e acusar aqueles que se opõe à tal brutalidade como “defensor de terroristas” é uma falácia imbecil da qual os pró-sionismo deviam nos poupar.